Edifício II
Eu não sabia bem como fazer para chamar a atenção de Joaquim, o vizinho do quarto andar. Não queria usar a mesma tática do dia seguinte. Sem variações, a brincadeira iria perder totalmente a graça. Mas eu já havia tomado dois litros de chá no café da esquina e nenhuma idéia brilhante tinha dados as caras.
Decidi seguir o instinto, se fosse para ser, seria. Whatever.
Paguei. Peguei meu casaco, pasta, bolsa, etc, e fui caminhando até o edifício.
No meio dos, sei lá, 60 metros que separavam o café do edifício, senti os dois litros de chá fazendo uma certa pressão. Puta que o pariu! Era só o que me faltava agora.
Não tive dúvidas. Toquei a campanhia do meu amigo. Dessa vez eu precisava mijar de verdade, nada de joguinhos. Nem cogitei tentar o Joaquim, tinha que ser em algum lugar onde eu pudesse entrar sem dar oi e explicações mais detalhadas, apenas correr até o banheiro.
- Oi, sou eu. Tô me mijando. Abre!
Bzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Pleck. tec, tec, tec. Bloooum!
Um lance de escadas.
Dois lances de escadas.
Ai, não vou conseguir!
Três lances de escadas...
Ai, xixizinho, segura peão...
Quatro lanc... oooooooi, Joaquim......
- Oi, tudo bom? Com pressa, hein?
- E como... tô.... atrasada. Mas.... hummm.... eu tava mesmo pensando em ti. Será que tu poderias me dar o teu cartão uma hora dessas?
Voz masculina vindo do andar de cima: monicaaaaaaaaaaa.... tá viva?
- Oi, tô! Tô chegando....
Joaquim atônito apontando para cima:
- Ele tem o meu número. Pede que ele te dá.
- Brigada. Tchauzinho.......

<< Home